O ISLÃ ATACA A ESCRAVIDÃO


Na época da Jahiliyyah os árabes em nada deixavam a desejar com relação aos seus vizinhos no que diz respeito ao escravagismo.

Na Península do Hijaz na época da Jahiliyyah a vida humana tinha pouco valor.

“A escravidão afrontava o Islã tanto quanto a idolatria, porém enquanto a idolatria tinha suas bases fixadas em um espiritualismo irracional que podia ser combatido com a razão, o escravagismo tinha suas raízes no comércio na agricultura e consequentemente na estrutura social, e a razão neste caso tornava-se um instrumento frágil para “abafar” a questão mas sim enfrentando o problema de forma a mostrar que o maior milagre do Islã é a realização de sua ação Política.

A força é capaz de submeter, porém muitas vezes gera hostilidade e geralmente a hostilidade, sendo forte demasiado, é capaz de transformar uma causa justa em injustiça tirando assim sua legitimidade.

A guerra do Islã contra o escravismo focou em mudar a mentalidade das pessoas e suas atitudes como um todo, de forma que depois da emancipação os escravos se convertiam em membros da sociedade sem a necessidade de passeatas, greves nem desobediência civil ou enfrentamentos raciais, e o Islã obteve êxito neste sentido sem o derramamento de sangue ou outro tipo de violência. O Islã estabeleceu regras rígidas quanto a posse de escravos:

“Nas Leis Islâmicas a posse de escravos estava condicionada a guerra legítima que tenha sido desencadeada em prol da auto-defesa (da Ummah), contra inimigos idólatras; e era permitida para servir de garantia de preservação da vida dos próprios cativos. Muhammad (S.A.A.S) encontrou este costume entre os árabes pagãos, e o que fez foi minimizar o mal, estabelecendo regras claras e rígidas fazendo com que se não fosse pela malícia de seus defensores, a escravidão como uma instituição social haveria deixado de existir a medida que terminavam as guerras nas quais a Ummah se viu envolvida no seu começo” Amir Ali.

A postura da Ummah na época do Profeta Muhammad (S.A.A.S) era de total oposição em relação a mentalidade escravista, tanto a compra como a venda de escravos era desconhecida no período dos Califas al-Rashidun, neste período é desconhecido qualquer registro comercial referente a transações envolvendo atividade escravista, porém com a chegada ao poder dos Omíadas se deu uma mudança no âmago dos ensinamentos Muçulmanos e consequentemente no espírito do Islã.

Mu´âwiiah foi o primeiro governante “muçulmano” que introduziu no mundo Islâmico a prática de adquirir escravos(as) por meio de compra e igualmente também foi o primeiro em adotar o costume bizantino de proteger as suas mulheres com eunucos.

É evidente em várias Ayat (Versículo) do Alcorão que a emancipação de escravos é tida como expiação para um grande número de pecados.

Poderia ser alegado que ao prescrever a emancipação de escravos com forma de expiação de pecados o Islã concebia a instituição escravagismo como algo legítimo mas isto não é bem assim.

Para cada situação em que a emancipação de escravos é prescrita (no Alcorão) como forma de penitência, também se prescrevia uma alternativa, o que indica uma disposição do Islã em

plantar sementes que germinariam à longo prazo como uma mudança de consciência nas pessoas, o Islã também declarou que qualquer escrava que engravidasse de seu amo não mais poderia ser vendida e que o filho nascido deveria ter o status do pai, e ao morrer o amo que a engravidou ela (escrava) se tornaria uma mulher livre.

Aos escravos lhes era concedido o direito de pagar (comprar) a própria liberdade mediante uma quantia pré-determinada ou período de trabalho pré-acordado (o termo legal para isto é Mukatabah).

Mukatabah (realização de contrato), é um dos grandes divisores ideológicos do Islã no que diz respeito ao escravismo, que o diferencia das outras religiões e códigos sociais.